Adubação sustentável para cajueiro-anão: redução de custos e impacto ambiental na cajucultura
A inovação permite redução de 70% nos custos de implantação por hectare via racionalização de fosfatados e micronutrientes, garantindo sustentabilidade e equivalência fitossanitária, com validação em campo e suporte do Zarc Caju
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A busca por uma agricultura mais eficiente e sustentável é constante, e a cajucultura não é exceção. Uma nova recomendação de adubação para o plantio do cajueiro-anão, desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE), representa um avanço significativo nesse cenário. Esta atualização substitui um método em uso há 25 anos, prometendo otimizar o uso de insumos, reduzir custos e promover a sustentabilidade ambiental.
A necessidade de inovação na adubação do cajueiro
A recomendação anterior, baseada em estudos com cajueiro-comum e outras fruteiras, não atendia plenamente às especificidades do cajueiro-anão. Produtores do Ceará, em especial, demandavam uma adequação que considerasse as características dessa cultivar, fundamental para a economia local. A pesquisa, iniciada em 2021, buscou preencher essa lacuna, focando no "Aperfeiçoamento tecnológico do manejo de pomares de cajueiros" e em "Inovações tecnológicas para o sistema de produção do cajueiro-anão".
Para um desenvolvimento saudável, o cajueiro necessita de uma gama de nutrientes essenciais, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cobre, ferro, manganês, zinco, cloro, molibdênio e níquel. A adubação é o processo de reposição desses elementos no solo, influenciando diretamente a produtividade e a qualidade do pomar. A precisão nesse processo é crucial para evitar desperdícios e garantir o máximo potencial da cultura.
O que muda na adubação de plantio?
A principal mudança reside na racionalização da aplicação de fertilizantes. A antiga recomendação preconizava o uso de grandes quantidades de adubos por cova, elevando os custos de produção. Por exemplo, a aplicação de superfosfato simples podia chegar a quase um quilo por cova. A nova diretriz reduz essa quantidade para, no máximo, 200 gramas por cova.
Outra alteração importante é a aplicação de calcário, que agora é limitada à área total do pomar, eliminando a prática anterior de aplicação direta na cova de plantio. A quantidade de micronutrientes, como o FTE-BR12 (composto por zinco, boro, cobre, ferro, manganês e molibdênio), também foi ajustada. Antes fixada em 100 gramas por cova, independentemente da fertilidade do solo, a dosagem agora será definida com base em análises de solo específicas, garantindo uma aplicação mais assertiva.
Impacto econômico: redução de custos em 70%
A fase de plantio é um momento crítico para o estabelecimento das mudas e a única oportunidade de aplicar adubos em profundidade. Os ajustes na recomendação de adubação do cajueiro-anão resultam em uma economia expressiva de aproximadamente 70% nos custos dessa etapa.
Conforme dados da pesquisa, o custo médio da adubação de plantio em um hectare de cajueiro (com espaçamento de 8m x 8m, totalizando 156 plantas) era de R$ 520,00 com a antiga recomendação. Com a nova abordagem, que dispensa o calcário na cova e utiliza doses reduzidas de fósforo e micronutrientes, esse valor cai para R$ 138,00. Essa otimização representa um alívio financeiro substancial para os produtores.
Benefícios ambientais: sustentabilidade e saúde do solo
Além dos ganhos econômicos, a adubação racional oferece vantagens ambientais significativas. A minimização do uso de fertilizantes químicos reduz o risco de contaminação do solo, dos cursos d'água e dos alimentos, contribuindo para um modelo de produção mais sustentável. A diminuição de insumos químicos também auxilia na conservação da estrutura física do solo, prevenindo o acúmulo de sais e a degradação da matéria orgânica.
O cajueiro, embora cultivado em solos de baixa fertilidade, é exigente em adubação. A nova recomendação atende às necessidades da planta com doses quatro vezes menores de adubos em comparação com a prática anterior. A longo prazo, essa redução pode levar a melhorias na saúde do solo, como a conservação da vida biológica, e até mesmo na qualidade dos frutos, especialmente quando combinada com práticas orgânicas de manejo.
Validação em campo e ferramentas de apoio
A eficácia da nova adubação foi validada em Unidades de Observação instaladas em cinco municípios cearenses: Fortim, Alto Santo, Ocara, Santana do Acaraú e Cascavel. Os estudos, iniciados em março de 2025 e com previsão de término em 2026, já mostram um melhor desenvolvimento do cajueiro com a nova metodologia, utilizando menos insumos e exigindo menor investimento.
Para auxiliar os produtores, a pesquisa também desenvolveu o aplicativo CND Caju. Essa ferramenta online realiza a interpretação dos resultados da análise foliar, determinando o estado nutricional do cajueiro e orientando a adubação de forma precisa. O CND Caju considera as interações multivariadas entre os nutrientes, crucial para alcançar o equilíbrio nutricional ideal e otimizar a produtividade e qualidade dos frutos.
Disseminação da tecnologia e planejamento do plantio
A disseminação dessa tecnologia conta com o apoio da Empresa de Assistência Técnica Rural do Ceará (Ematerce). Para uma adoção adequada, é fundamental que a análise do solo seja realizada seguindo as orientações da pesquisa e por laboratórios credenciados. A interpretação dos resultados por um profissional técnico é indispensável para definir a adubação com base nas necessidades reais do cajueiro.
Adicionalmente, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a Cajucultura (Zarc Caju) é uma ferramenta essencial para o planejamento do plantio. O Zarc indica as épocas e locais mais adequados para implantar a cultura, considerando clima, tipo de solo e ciclo de desenvolvimento dos clones, minimizando riscos climáticos e otimizando a produção. A adesão ao Zarc pode, inclusive, facilitar o acesso a programas de crédito rural e seguro agrícola.
Continuidade dos estudos
A pesquisa com culturas perenes, como o cajueiro, é um processo de longo prazo. O cronograma prevê o acompanhamento e a avaliação do desenvolvimento dos cajueiros por, pelo menos, dois anos. Os estudos continuarão para verificar o comportamento das plantas em termos de produtividade sob os efeitos da nova recomendação de adubação, consolidando ainda mais os benefícios dessa inovação.
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